Introdução
A Doença Renal Crônica (DRC) afeta milhões de pessoas em todo o mundo e, no Brasil, sua prevalência tem aumentado significativamente. Muitos pacientes com DRC também enfrentam a dislipidemia, uma condição caracterizada por níveis elevados de colesterol e outros lipídios no sangue. Essa combinação não só agrava o quadro clínico, mas também eleva o risco de eventos cardiovasculares – a principal causa de complicações e mortalidade nesse grupo. Diante desse cenário, é fundamental conhecer as recomendações atuais para o manejo das dislipidemias em pacientes com DRC, conforme as diretrizes KDIGO, a Bíblia da nefrologia, para melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos.
Desenvolvimento
*Entendendo o Papel do Colesterol e das Estatinas*
Estudos comprovam que a redução do colesterol LDL – popularmente conhecido como “colesterol ruim” – por meio de terapias com estatinas traz benefícios significativos tanto para pessoas com quanto sem DRC. As estatinas ajudam a diminuir a formação de placas nas artérias, prevenindo doenças cardiovasculares que podem agravar a condição de quem já tem problemas renais.
*Recomendações KDIGO para o Manejo das Dislipidemias na DRC*
De acordo com as recomendações para o tratamento das dislipidemias em pacientes com DRC são as seguintes:
1) Para adultos com 50 anos ou mais e função renal reduzida (eGFR <60 ml/min/1.73 m², categorias G3a a G5):
Recomenda-se o uso de estatinas ou a combinação de estatina com ezetimibe. Essa abordagem, com o mais alto nível de evidência, visa reduzir o LDL de forma efetiva e, consequentemente, diminuir o risco de eventos cardiovasculares.
2) Para adultos com 50 anos ou mais e função renal preservada (eGFR ≥60 ml/min/1.73 m², categorias G1 e G2):
Também se recomenda o tratamento com estatinas, reforçando a importância da terapia preventiva, mesmo quando a função renal está relativamente boa.
3) Para adultos entre 18 e 49 anos com DRC (que não estão em diálise ou transplantados):
O tratamento com estatinas é sugerido para aqueles que apresentam fatores de risco adicionais, como histórico de doença coronariana, diabetes, AVC ou quando o risco estimado de eventos cardíacos em 10 anos ultrapassa 10%. Essa recomendação, classificada como 2A, enfatiza a necessidade de uma avaliação individualizada.
Além dessas diretrizes, recomenda-se a utilização de ferramentas validadas para a estimação do risco cardiovascular a 10 anos, permitindo que o tratamento seja adaptado às necessidades específicas de cada paciente.
Por que a Avaliação Médica é Fundamental?
Embora as diretrizes forneçam um guia valioso para o tratamento, cada paciente é único. A decisão sobre qual terapia adotar deve ser feita com base em uma avaliação clínica detalhada, que considere a função renal, os níveis de lipídios e a presença de outros fatores de risco. Por isso, a consulta médica é o primeiro passo para um tratamento eficaz e seguro, permitindo a definição de estratégias personalizadas para cada caso.
Conclusão
Em resumo, o manejo das dislipidemias em pacientes com DRC é essencial para a prevenção de complicações cardiovasculares. As diretrizes KDIGO 2023 reforçam o papel fundamental das estatinas – e, em alguns casos, de combinações terapêuticas – para reduzir o colesterol LDL e proteger a saúde do coração. Contudo, nenhuma diretriz substitui a importância de uma avaliação médica individualizada. Agendar uma consulta com um nefrologista é imprescindível para discutir seu caso específico, definir os melhores alvos terapêuticos e garantir um tratamento seguro e eficaz.
Se você ou alguém que você conhece enfrenta desafios relacionados à DRC e dislipidemia, não hesite em procurar um especialista. Cuidar da sua saúde renal é investir na sua qualidade de vida!
Respostas de 2
Excelente!!
A prevencao eh essencial !
Muito boa a abordagem !
Prevenir é a base para se ter uma boa saúde renal!
Excelente colocação, José Antônio!