O rim em esponja medular, também chamado de doença de Cacchi-Ricci, é uma alteração congênita dos túbulos coletores localizados na medula renal.
Na maioria das pessoas, essa condição é descoberta por acaso. Em outras, pode estar associada a cálculos renais recorrentes, nefrocalcinose, sangue na urina e infecções urinárias.
Uma dúvida comum é: “Rim em esponja medular significa que meus rins estão falhando?” Na maioria dos casos, não. A função renal costuma permanecer preservada, mas pacientes que apresentam pedras recorrentes, infecções, obstruções ou alterações metabólicas precisam de acompanhamento.
O que é rim em esponja medular?
O rim em esponja medular é uma alteração estrutural em que pequenos túbulos coletores localizados na medula renal apresentam dilatações e pequenas cavidades.
Essas alterações podem dar ao rim uma aparência semelhante a uma “esponja” em determinados exames de imagem.
Segundo o NIDDK, a condição é congênita, ou seja, está presente desde o desenvolvimento fetal, embora muitas pessoas só descubram na adolescência ou vida adulta.
Rim em esponja medular é uma doença genética?
Na maioria dos casos, não existe um padrão hereditário claramente definido.
Embora existam relatos familiares, a maior parte dos pacientes não apresenta história familiar evidente.
Por isso, o diagnóstico não significa automaticamente que filhos ou irmãos terão a mesma alteração.
É uma condição comum?
É considerada relativamente rara na população geral.
O NIDDK estima ocorrência em aproximadamente 1 a cada 5.000 pessoas.
Entretanto, ela é encontrada com maior frequência entre pacientes que formam cálculos de cálcio repetidamente.
Por que o rim em esponja medular favorece pedras nos rins?
As dilatações dos túbulos coletores podem favorecer estase urinária local e formação de cristais.
Além disso, alguns pacientes apresentam alterações metabólicas associadas, principalmente:
- hipercalciúria;
- hipocitratúria;
- alterações da acidificação urinária;
- nefrocalcinose.
Essa combinação aumenta o risco de formação de cálculos de cálcio.
Qual tipo de pedra é mais comum?
Os cálculos costumam ser predominantemente de cálcio, principalmente oxalato de cálcio e fosfato de cálcio.
Por isso, uma investigação metabólica completa pode ser útil quando existem episódios recorrentes.
Veja também nosso conteúdo sobre cálculo de oxalato de cálcio e cálculo de fosfato de cálcio e brushita.
Rim em esponja medular é a mesma coisa que nefrocalcinose?
Não.
O rim em esponja medular é uma alteração anatômica dos túbulos coletores.
A nefrocalcinose é o depósito de cristais de cálcio dentro do tecido renal.
As duas condições podem coexistir, e o rim em esponja medular é uma das causas conhecidas de nefrocalcinose medular.
Quais sintomas podem ocorrer?
Muitas pessoas não apresentam sintomas.
Quando há manifestações clínicas, as mais frequentes são:
- cálculos renais;
- cólica renal;
- sangue na urina;
- infecções urinárias;
- dor lombar associada à litíase;
- nefrocalcinose descoberta em exames de imagem.
Infecção urinária é comum?
Pode ocorrer com maior frequência em alguns pacientes, principalmente quando há cálculos, estase urinária ou alterações anatômicas associadas.
Isso não significa que toda pessoa com rim em esponja medular terá infecções recorrentes.
Quando elas acontecem, é importante investigar fatores associados e tratar cada episódio de acordo com sintomas, urocultura e contexto clínico.
Veja também nossa página sobre infecção urinária.
Rim em esponja medular causa sangue na urina?
Pode causar.
A hematúria pode aparecer principalmente associada a cálculos ou microcristais.
Entretanto, sangue na urina possui várias outras causas e não deve ser atribuído automaticamente ao rim em esponja medular sem avaliação adequada.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado principalmente por exames de imagem.
Dependendo do contexto, podem ser utilizados:
- ultrassonografia;
- tomografia computadorizada;
- tomografia com contraste em situações selecionadas;
- outros exames de imagem do trato urinário.
O exame deve ser interpretado por radiologista e correlacionado com a história clínica.
O ultrassom consegue diagnosticar?
O ultrassom pode mostrar cálculos e depósitos de cálcio compatíveis com nefrocalcinose.
Entretanto, ele nem sempre demonstra de forma específica as alterações dos túbulos coletores.
Por isso, em algumas situações, a tomografia fornece informações mais detalhadas.
Qual exame de imagem é mais útil?
Não existe um único exame ideal para todos.
A tomografia pode mostrar dilatações tubulares, calcificações medulares e cálculos associados.
Quando existe necessidade de avaliar melhor a anatomia dos ductos coletores, estudos contrastados podem fornecer informações adicionais.
Preciso fazer urina de 24 horas?
Em pacientes com cálculos recorrentes, geralmente vale a pena considerar.
A urina de 24 horas pode avaliar:
- volume urinário;
- cálcio;
- citrato;
- oxalato;
- sódio;
- ácido úrico;
- pH;
- creatinina urinária.
Esses resultados ajudam a identificar fatores modificáveis.
Hipercalciúria é comum?
Pode ser.
Alguns pacientes apresentam eliminação aumentada de cálcio pela urina, o que favorece cálculos e nefrocalcinose.
Quando isso ocorre, reduzir o excesso de sódio e avaliar outras medidas específicas pode ajudar.
Hipocitratúria também pode aparecer?
Sim.
Citrato baixo reduz a proteção natural contra cristalização de cálcio.
Em pacientes selecionados, citrato de potássio pode ser considerado, especialmente quando a hipocitratúria está documentada.
Existe relação com acidose tubular renal distal?
Alguns pacientes podem apresentar alterações da acidificação urinária semelhantes às observadas na acidose tubular renal distal.
Por isso, pH urinário persistente elevado, citrato baixo e cálculos de fosfato de cálcio podem justificar investigação adicional.
Rim em esponja medular precisa de tratamento?
A alteração anatômica em si não possui um tratamento para ser “revertida”.
O tratamento é direcionado às complicações e aos fatores de risco associados.
As principais estratégias podem incluir:
- hidratação adequada;
- redução do excesso de sal;
- prevenção de novos cálculos;
- tratamento de infecções urinárias quando presentes;
- tratamento de hipercalciúria;
- correção de hipocitratúria;
- intervenção urológica quando há cálculos obstrutivos ou sintomáticos.
Quanto de água devo beber?
Em pacientes formadores de cálculos, a meta costuma ser manter volume urinário elevado.
Para prevenção de litíase, geralmente se busca produção de aproximadamente 2,5 litros ou mais de urina por dia, quando não existe contraindicação à maior ingestão de líquidos.
A quantidade de água necessária varia conforme clima, peso, atividade física e perdas pelo suor.
Preciso reduzir o sal?
Sim, principalmente se houver hipercalciúria.
O excesso de sódio aumenta a excreção urinária de cálcio e pode favorecer novos cálculos.
Veja também nosso guia sobre como evitar pedra nos rins.
Citrato de potássio pode ajudar?
Pode ser útil em pacientes com hipocitratúria ou alterações específicas da urina.
Ele não deve ser prescrito apenas porque o paciente possui rim em esponja medular.
A indicação depende de pH urinário, citrato, função renal e potássio sérico.
Tiazídicos podem ser usados?
Podem ser considerados em pacientes com hipercalciúria.
O objetivo é reduzir a excreção urinária de cálcio.
A indicação deve ser individualizada, considerando pressão arterial, potássio, sódio urinário e risco de efeitos adversos.
Rim em esponja medular pode causar insuficiência renal?
Na maioria dos pacientes, não.
O NIDDK destaca que a condição raramente evolui para doença renal crônica ou insuficiência renal.
Entretanto, pacientes com infecções recorrentes, obstruções, múltiplos cálculos ou outras doenças renais precisam de acompanhamento mais cuidadoso.
Preciso acompanhar a função renal?
Sim, especialmente quando existem complicações.
Acompanhamento periódico da creatinina e da taxa de filtração glomerular ajuda a garantir que a função renal permanece estável.
Veja também nossa página sobre avaliação da função renal.
Quem tem rim em esponja medular precisa operar?
Não pela condição anatômica isoladamente.
Cirurgia ou procedimentos urológicos são indicados quando existem cálculos que não conseguem ser eliminados, obstrução, infecção associada ou outras complicações.
Perguntas frequentes sobre rim em esponja medular
Rim em esponja medular é câncer?
Não. É uma alteração estrutural benigna dos túbulos coletores renais.
É a mesma coisa que rim policístico?
Não. Rim em esponja medular e doença renal policística são condições completamente diferentes.
Posso ter apenas um rim afetado?
Sim. Embora frequentemente seja bilateral, pode afetar apenas um rim.
Todo paciente forma cálculos?
Não. Algumas pessoas permanecem assintomáticas durante toda a vida.
Rim em esponja medular tem cura?
A alteração estrutural não é revertida, mas as complicações podem ser prevenidas e tratadas.
Preciso restringir cálcio da alimentação?
Na maioria dos pacientes formadores de cálculos de cálcio, não. O cálcio alimentar geralmente deve ser mantido em quantidade adequada.
O foco deve ser prevenir as complicações
Rim em esponja medular costuma ter evolução benigna, mas alguns pacientes apresentam cálculos recorrentes, nefrocalcinose ou infecções urinárias.
Nesses casos, a investigação metabólica ajuda a identificar hipercalciúria, hipocitratúria e outros fatores que podem ser tratados.
Se um exame mostrou rim em esponja medular associado a cálculos ou nefrocalcinose, uma avaliação individualizada pode ajudar a definir se há necessidade de urina de 24 horas, exames de sangue e medidas preventivas específicas.
Dr. Filipe Krüger realiza acompanhamento nefrológico presencial no Rio de Janeiro e também por telemedicina.
Sobre o autor
Dr. Filipe Krüger
Médico Nefrologista – RQE 38573
CRM-RJ 52.107882-8
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Última revisão médica: 6 de outubro de 2026.
Referências
National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Medullary Sponge Kidney.
Sociedade Brasileira de Nefrologia. Brazilian Guidelines on evaluation and clinical management of Nephrolithiasis. Jornal Brasileiro de Nefrologia. 2025.
Fabris A, Anglani F, Lupo A, Gambaro G. Medullary sponge kidney: state of the art. Nephrology Dialysis Transplantation. 2013;28(5):1111-1119.


