Cálculo de estruvita: infecção urinária, tratamento e prevenção

Cálculo de estruvita no rim associado à infecção urinária por bactérias produtoras de urease

Os cálculos de estruvita são um tipo específico de pedra nos rins associado a infecções urinárias por bactérias produtoras de urease.

Eles são diferentes dos cálculos metabólicos mais comuns porque a própria infecção modifica o pH da urina e favorece a formação da pedra.

Uma dúvida frequente é: “Se eu tratar a infecção com antibiótico, a pedra desaparece?” Nem sempre. Em muitos casos, é necessário tratar a infecção e também remover o cálculo, porque a pedra pode manter bactérias em seu interior e favorecer novas infecções.

O que é cálculo de estruvita?

O cálculo de estruvita é uma pedra formada principalmente por fosfato de magnésio e amônio.

Segundo a European Association of Urology (EAU), os cálculos relacionados à infecção representam aproximadamente 2% a 15% das pedras analisadas.

Eles podem se formar de novo ou crescer sobre um cálculo já existente que foi infectado por bactérias capazes de produzir urease.

Por que a infecção urinária pode formar uma pedra?

Algumas bactérias produzem uma enzima chamada urease.

Essa enzima quebra a ureia presente na urina e aumenta a produção de amônia. Como consequência, o pH urinário sobe e a urina fica mais alcalina.

Esse ambiente favorece a precipitação de minerais como estruvita e apatita carbonatada.

Qual pH favorece cálculo de estruvita?

A EAU informa que a estruvita precipita principalmente em pH urinário acima de 7,2.

Já a apatita carbonatada pode começar a cristalizar em valores de pH a partir de aproximadamente 6,8.

Por isso, um pH urinário persistentemente elevado associado a infecção por bactérias produtoras de urease pode levantar suspeita desse tipo de cálculo.

Quais bactérias estão relacionadas ao cálculo de estruvita?

As principais são bactérias produtoras de urease.

Entre elas estão:

  • Proteus;
  • Providencia;
  • Morganella;
  • Corynebacterium urealyticum;
  • Ureaplasma;
  • algumas cepas de Klebsiella;
  • algumas espécies de Staphylococcus e Serratia.

Segundo a EAU, Proteus mirabilis responde por mais da metade das infecções urinárias com bactérias urease-positivas.

Escherichia coli causa cálculo de estruvita?

Na maioria das vezes, não.

E. coli não é tipicamente uma bactéria fortemente associada à produção de urease.

Entretanto, a composição bacteriana de uma infecção pode ser complexa e, em alguns casos, culturas podem mostrar mais de um microrganismo.

Por isso, a urocultura continua sendo fundamental.

Quem tem maior risco de cálculo de estruvita?

Algumas condições favorecem infecção urinária persistente e formação desse tipo de pedra.

Entre os fatores de risco descritos pela EAU estão:

  • bexiga neurogênica;
  • lesão medular;
  • cateter urinário de longa permanência;
  • derivações urinárias;
  • corpos estranhos no trato urinário;
  • estenose de uretra;
  • obstruções urinárias;
  • divertículos vesicais;
  • doença calculosa prévia.

Cálculo de estruvita pode formar pedra coraliforme?

Sim.

Esses cálculos podem crescer rapidamente e ocupar grande parte do sistema coletor renal, formando o chamado cálculo coraliforme.

Entretanto, nem todo cálculo coraliforme é composto exclusivamente por estruvita.

A análise da composição da pedra continua sendo importante.

Quais sintomas o cálculo de estruvita pode causar?

Os sintomas podem variar.

Alguns pacientes apresentam:

  • infecções urinárias recorrentes;
  • febre;
  • dor lombar;
  • sangue na urina;
  • urina com odor forte;
  • mal-estar;
  • queda da função renal em casos mais avançados.

Em algumas pessoas, o cálculo pode crescer silenciosamente por um período significativo.

Febre com cálculo renal é sinal de alerta?

Sim.

Febre, calafrios ou piora importante do estado geral em uma pessoa com cálculo renal podem indicar infecção associada à obstrução urinária.

Essa combinação pode ser uma urgência urológica e pode exigir drenagem rápida da via urinária, além de antibióticos.

Veja também nosso conteúdo sobre infecção urinária e sinais de alerta.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação costuma combinar:

  • imagem do trato urinário;
  • urocultura;
  • pH urinário;
  • função renal;
  • análise da composição do cálculo quando disponível.

A tomografia sem contraste é especialmente útil para avaliar tamanho, localização e extensão da carga litiásica.

Urocultura é importante?

Sim, é fundamental.

A urocultura ajuda a identificar a bactéria responsável e orientar o antibiótico.

Em cálculos relacionados à infecção, pode existir diferença entre a bactéria encontrada na urina e a bactéria presente dentro da pedra.

Em procedimentos cirúrgicos, cultura da pedra ou da urina da pelve renal pode fornecer informações adicionais.

Antibiótico sozinho resolve cálculo de estruvita?

Geralmente não.

O antibiótico trata a infecção, mas a pedra pode permanecer como um reservatório de bactérias.

Por isso, a EAU recomenda remoção cirúrgica o mais completa possível do material calculoso quando se trata de cálculo infeccioso.

Depois da remoção, persistência de bacteriúria deve ser tratada de forma direcionada.

Por que é importante retirar toda a pedra?

Resíduos de cálculo podem manter bactérias e favorecer:

  • reinfecção urinária;
  • crescimento de novos cálculos;
  • recorrência rápida;
  • progressão da doença renal.

Por isso, o objetivo costuma ser obter a maior remoção possível da carga litiásica.

Qual cirurgia é usada para cálculo coraliforme ou estruvita?

Depende de tamanho, localização e anatomia renal.

Em cálculos volumosos, especialmente coraliformes, a nefrolitotomia percutânea frequentemente tem papel central.

Outras técnicas podem ser associadas conforme a carga de cálculo residual e a estratégia do urologista.

Precisa usar antibiótico por muito tempo?

A duração do antibiótico depende da situação clínica e da cultura.

A EAU reconhece que antibióticos são importantes quando há bacteriúria persistente, mas a duração ideal do tratamento após a remoção do cálculo ainda não é totalmente definida.

O antibiótico deve ser escolhido com base em cultura e sensibilidade sempre que possível.

Existe medicamento para impedir a urease?

Existem inibidores de urease, como o ácido acetohidroxâmico, mas eles não são utilizados rotineiramente em todos os pacientes e podem ter efeitos adversos importantes.

A disponibilidade também varia entre países.

Por isso, o tratamento principal continua sendo controle da infecção e remoção do cálculo.

Urina muito alcalina significa que tenho estruvita?

Não necessariamente.

pH elevado pode ocorrer em outras situações, como:

  • acidose tubular renal distal;
  • uso de alcalinizantes;
  • algumas dietas;
  • contaminação da amostra;
  • outras alterações metabólicas.

O diagnóstico exige correlação com urocultura e composição da pedra.

Estrivita e fosfato de cálcio são a mesma coisa?

Não.

Embora ambos possam ocorrer em urina alcalina, a estruvita está diretamente relacionada a infecção por bactérias produtoras de urease.

Já cálculos de fosfato de cálcio, como brushita, podem ocorrer por mecanismos metabólicos e não dependem de infecção.

Depois de retirar a pedra, preciso fazer urina de 24 horas?

Em alguns pacientes, sim.

A EAU observa que alterações metabólicas podem ser encontradas em uma parcela importante de pacientes com cálculos mistos contendo estruvita.

Por isso, depois de remover a pedra e controlar a infecção, pode ser útil realizar investigação metabólica com urina de 24 horas, especialmente quando o cálculo tem composição mista.

O cálculo de estruvita pode prejudicar a função renal?

Sim.

Cálculos volumosos, obstrução e infecção recorrente podem causar lesão renal progressiva.

Em casos avançados, pode haver redução importante da função renal.

Por isso, acompanhamento da função renal também é importante.

Como prevenir a recorrência?

As medidas mais importantes incluem:

  • retirar o cálculo o mais completamente possível;
  • tratar bacteriúria persistente;
  • identificar e corrigir fatores urológicos predisponentes;
  • acompanhar culturas de urina quando indicado;
  • manter hidratação adequada;
  • investigar fatores metabólicos em cálculos mistos.

Perguntas frequentes sobre cálculo de estruvita

Estrivita sempre significa infecção?

Praticamente sempre existe relação com bactérias produtoras de urease. Esse é justamente o mecanismo central de formação desse tipo de cálculo.

Proteus sempre forma pedra?

Não. Nem toda infecção por Proteus provoca cálculo, mas esse microrganismo está fortemente associado à formação de estruvita.

Antibiótico dissolve a pedra?

Não. Antibióticos tratam a infecção, mas não dissolvem o cálculo de estruvita já formado.

Pedra coraliforme é sempre estruvita?

Não. Embora estruvita seja uma causa clássica de cálculos coraliformes, outros tipos de pedra também podem apresentar esse formato.

Estrivita pode voltar?

Sim. Pacientes com cálculos relacionados à infecção são considerados de alto risco para recorrência.

Depois da cirurgia ainda posso ter infecção?

Sim. A recorrência depende de eliminação completa da pedra, anatomia urinária, presença de cateteres e persistência ou retorno das bactérias.

Infecção e cálculo precisam ser tratados juntos

O cálculo de estruvita é diferente dos cálculos puramente metabólicos porque a infecção é parte central da doença.

Por isso, o tratamento ideal geralmente combina remoção do cálculo, controle da infecção e correção dos fatores que favorecem novas infecções.

Se você apresenta infecções urinárias recorrentes associadas a cálculos, uma avaliação conjunta entre nefrologia e urologia pode ajudar a definir a melhor estratégia de investigação e prevenção.

Para uma visão geral sobre pedras nos rins, veja também nossa página sobre cálculo renal: sintomas, tratamento e prevenção.

Dr. Filipe Krüger realiza acompanhamento nefrológico presencial no Rio de Janeiro e também por telemedicina.

Sobre o autor

Dr. Filipe Krüger
Médico Nefrologista – RQE 38573
CRM-RJ 52.107882-8

Conteúdo elaborado com finalidade educativa. Febre, calafrios, redução importante da urina ou piora clínica associada a cálculo renal podem exigir atendimento de urgência.

Última revisão médica: 6 de outubro de 2026.

Referências

European Association of Urology. EAU Guidelines on Urolithiasis — Struvite and Infection Stones. Edição 2026.

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Sobre mim

Graduado em Clínica Médica pelo Hospital Federal de Bonsucesso e em Nefrologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ).

Membro da equipe de Nefrologia e Transplante Renal do Hospital São Lucas Copacabana, além de ser Diretor Médico de clínica satélite de diálise.

Especialista em atendimento nefrológico ambulatorial desde 2019, onde busca realizar uma consulta humanizada aliada com o conhecimento científico e técnico. 

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