
As pedras nos rins, também chamadas de cálculos renais ou litíase urinária, se formam quando determinadas substâncias presentes na urina se tornam muito concentradas e cristalizam.
Alguns cálculos permanecem dentro do rim sem causar sintomas. Outros se deslocam para o ureter, o canal que leva a urina do rim até a bexiga, podendo provocar a conhecida cólica renal.
Uma dúvida muito comum é: “Tenho um cálculo de 5 ou 6 mm. Ele vai sair sozinho?” A resposta depende não apenas do tamanho, mas também da localização da pedra, da presença de obstrução, infecção, intensidade da dor, função renal e características individuais. Veja também: pedra de 5 ou 6 mm sai sozinha?
O cálculo renal é uma estrutura sólida formada pela cristalização de substâncias presentes na urina.
Entre os componentes mais comuns estão cálcio, oxalato, fosfato e ácido úrico. Existem ainda cálculos relacionados a infecções, como os de estruvita, e cálculos mais raros, como os de cistina.
Identificar a composição da pedra e os fatores metabólicos que favoreceram sua formação é importante principalmente em pacientes que apresentam cálculos recorrentes.
A formação de cálculos geralmente resulta de um desequilíbrio entre substâncias que favorecem e substâncias que dificultam a cristalização na urina.
Entre os fatores que podem contribuir estão:
Por isso, dizer apenas que uma pessoa “forma pedra porque não bebe água” costuma ser uma simplificação excessiva.
Um cálculo localizado dentro do rim pode ser completamente assintomático.
Quando a pedra migra para o ureter e provoca obstrução, pode surgir uma dor intensa chamada cólica renal.
Os sintomas podem incluir:
A dor ocorre principalmente quando o cálculo obstrui o fluxo de urina pelo ureter, aumentando a pressão no sistema coletor renal e provocando contrações do ureter.
A intensidade da dor não é necessariamente proporcional ao tamanho da pedra. Um cálculo pequeno em uma posição que provoque obstrução pode causar uma dor extremamente intensa.
Algumas situações exigem avaliação médica rápida.
Procure atendimento de urgência diante de:
Uma infecção urinária associada à obstrução do sistema urinário pode ser uma emergência e pode exigir drenagem rápida do rim, além de antibióticos.
Para entender melhor os sinais de infecção, veja também nosso conteúdo sobre infecção urinária.
A escolha do exame depende da situação clínica.
A ultrassonografia é um exame sem radiação e pode identificar cálculos renais, dilatação das vias urinárias e alguns cálculos ureterais.
Em adultos com suspeita de cólica renal, a tomografia computadorizada sem contraste é o exame mais preciso para confirmar o diagnóstico, localizar o cálculo, medir seu tamanho e avaliar sua densidade.
Em crianças e gestantes, a estratégia de imagem é diferente e busca minimizar a exposição à radiação.
Sim, principalmente quando é pequeno e já está no ureter.
A chance de eliminação espontânea depende principalmente do tamanho e da localização.
De acordo com as diretrizes da European Association of Urology, aproximadamente três quartos dos cálculos ureterais menores que 5 mm eliminam espontaneamente. A chance tende a diminuir à medida que o cálculo aumenta.
Cálculos localizados na porção distal do ureter, mais próximos da bexiga, apresentam maior probabilidade de eliminação espontânea do que aqueles localizados na parte superior do ureter.
Em muitos pacientes, sim.
Cálculos ureterais menores que 5 mm apresentam alta chance de eliminação espontânea, especialmente quando estão na porção distal do ureter.
Mesmo assim, é necessário acompanhamento para confirmar a eliminação e garantir que não exista obstrução persistente ou deterioração da função renal.
Pode, mas a chance é menor do que para cálculos menores.
O tamanho não é o único determinante. Um cálculo de 6 mm localizado próximo à bexiga pode ter uma evolução diferente de um cálculo do mesmo tamanho no ureter proximal.
Também é preciso considerar dor, infecção, grau de obstrução, função renal e anatomia urinária.
Para uma explicação mais detalhada, veja quando uma pedra de 5 ou 6 mm pode sair sozinha.
A probabilidade de eliminação espontânea diminui progressivamente com o aumento do tamanho do cálculo.
Cálculos maiores, especialmente quando associados a obstrução persistente, dor recorrente ou outras complicações, apresentam maior probabilidade de necessitar tratamento urológico.
A decisão não deve ser tomada apenas com base em um número isolado de milímetros.
A tansulosina pertence ao grupo dos alfa-bloqueadores e pode facilitar a eliminação de alguns cálculos localizados no ureter.
As evidências atuais mostram maior benefício principalmente para cálculos ureterais distais entre aproximadamente 5 e 10 mm em pacientes nos quais uma tentativa de tratamento conservador é considerada segura.
É importante entender que esse uso é considerado off-label e que tamsulosina não é um tratamento para dissolver qualquer pedra localizada dentro do rim.
A indicação precisa ser individualizada, levando em consideração pressão arterial, efeitos adversos, localização da pedra e presença de complicações.
A necessidade de intervenção depende de diferentes fatores.
Tratamento urológico pode ser necessário quando existe:
As principais modalidades incluem ureteroscopia, litotripsia extracorpórea por ondas de choque e nefrolitotomia percutânea, dependendo do tamanho, localização, composição e anatomia urinária.
Os dois especialistas têm papéis complementares.
O urologista tem papel central quando é necessário remover um cálculo, aliviar uma obstrução ou realizar algum procedimento cirúrgico.
O nefrologista atua principalmente na investigação das causas metabólicas da formação das pedras e na prevenção de novos episódios.
Em pacientes recorrentes, o acompanhamento conjunto pode ser especialmente útil.
É um dos tipos mais comuns. Pode estar associado a baixo volume urinário, hipercalciúria, hiperoxalúria, hipocitratúria e outros fatores metabólicos. Saiba mais sobre cálculo de oxalato de cálcio.
Pode estar associado a urina mais alcalina, hipercalciúria e algumas condições como acidose tubular renal distal.
Alguns cálculos de fosfato de cálcio, como os de brushita, podem ser particularmente duros e apresentar maior dificuldade de fragmentação. Entenda os cálculos de fosfato de cálcio e brushita.
Está frequentemente relacionado a urina persistentemente ácida.
Diferentemente da maioria dos cálculos de cálcio, cálculos de ácido úrico podem, em determinadas situações, ser dissolvidos por meio da alcalinização controlada da urina. Veja como o cálculo de ácido úrico é investigado e tratado.
Está relacionada a infecções urinárias por bactérias produtoras de urease e pode formar cálculos volumosos. Saiba mais sobre cálculo de estruvita e infecção urinária.
É causada por uma doença hereditária chamada cistinúria e apresenta alto risco de recorrência. Entenda a cistinúria e o cálculo de cistina.
Sim.
A composição do cálculo pode fornecer informações importantes sobre sua causa e ajudar a direcionar estratégias preventivas.
As diretrizes europeias recomendam a análise da composição do cálculo em pacientes que formaram pedra pela primeira vez, utilizando métodos adequados como espectroscopia no infravermelho ou difração por raios X.
Quando possível, o paciente pode filtrar a urina durante o período de eliminação do cálculo e guardar o fragmento para análise.
Todos os pacientes com cálculo devem receber pelo menos uma avaliação clínica e metabólica básica.
Uma investigação mais detalhada é particularmente importante em pacientes com maior risco de recorrência, como:
Se os episódios estão se repetindo, veja também quando investigar a causa da pedra nos rins recorrente.
A urina de 24 horas permite medir fatores que aumentam ou reduzem o risco de cristalização.
Dependendo da situação, podem ser avaliados:
As diretrizes europeias recomendam duas coletas consecutivas de 24 horas quando uma avaliação metabólica específica está indicada.
Idealmente, a investigação deve ser realizada quando o paciente já está estável, sem infecção e seguindo sua alimentação e ingestão hídrica habituais.
Veja como é feita a urina de 24 horas para investigação de cálculo renal.
A meta mais importante é produzir uma quantidade adequada de urina.
Para prevenção de recorrência, as diretrizes recomendam uma ingestão generosa de líquidos, preferencialmente água, com objetivo de alcançar mais de 2,5 litros de urina por dia.
Para muitas pessoas isso exige ingerir aproximadamente 2,5 a 3 litros de líquidos diariamente, mas a quantidade necessária varia conforme clima, atividade física, perdas pelo suor e condições clínicas.
Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal avançada ou outras condições que exigem restrição hídrica precisam de orientação individualizada.
Na maioria dos pacientes com cálculos de cálcio, não.
Restringir excessivamente o cálcio da alimentação pode aumentar a absorção intestinal de oxalato e paradoxalmente favorecer cálculos de oxalato de cálcio.
As recomendações gerais costumam manter uma ingestão alimentar normal de cálcio, em torno de 1.000 a 1.200 mg por dia, salvo situações específicas.
Pode aumentar.
Ingestão elevada de sódio favorece maior eliminação de cálcio pela urina e pode reduzir o citrato urinário.
Por isso, reduzir o excesso de sal é uma das medidas mais importantes na prevenção de cálculos de cálcio.
Não indiscriminadamente.
Uma dieta extremamente restritiva em oxalato não é necessária para todas as pessoas.
A restrição direcionada faz mais sentido quando existe hiperoxalúria ou consumo excessivo de alimentos muito ricos em oxalato.
Além disso, o cálcio alimentar consumido junto às refeições ajuda a se ligar ao oxalato no intestino e reduz sua absorção.
O citrato presente na urina dificulta a formação de alguns cristais de cálcio.
Frutas cítricas podem contribuir para aumentar a ingestão de citrato e fazer parte de uma dieta equilibrada.
Entretanto, quando existe hipocitratúria significativa, o tratamento pode exigir alcalinização farmacológica, frequentemente com citrato de potássio, dependendo do tipo de cálculo e das condições clínicas.
A prevenção medicamentosa depende do distúrbio encontrado na investigação.
Entre os tratamentos que podem ser utilizados em situações selecionadas estão:
Essas medicações não devem ser utilizadas apenas porque alguém “tem pedra nos rins”. A indicação depende do tipo de cálculo, dos exames de sangue e da composição da urina.
Sim.
A litíase urinária tem tendência à recorrência, especialmente quando os fatores metabólicos responsáveis não são identificados e tratados.
Por isso, retirar uma pedra resolve o episódio atual, mas não necessariamente resolve a doença que levou à sua formação.
Na maioria das pessoas com episódios isolados, não ocorre perda permanente importante da função renal.
Entretanto, obstruções prolongadas, infecções associadas, cálculos bilaterais, cálculos recorrentes e determinadas doenças metabólicas podem contribuir para lesão renal.
Pacientes com litíase recorrente e alteração da função renal merecem acompanhamento mais cuidadoso.
Se você deseja entender melhor por que as pedras se formam, como investigar a causa e quais medidas podem reduzir a recorrência, estes conteúdos aprofundam os principais temas relacionados à litíase urinária.
Nem sempre. Cálculos renais assintomáticos e não obstrutivos podem, em situações selecionadas, ser acompanhados com exames de imagem. Crescimento, infecção, obstrução ou sintomas podem modificar a indicação.
Não. Hematúria pode ocorrer, mas sua ausência não exclui cálculo.
Não. A ultrassonografia pode não visualizar alguns cálculos ureterais. Quando a suspeita clínica permanece, a tomografia sem contraste pode ser necessária.
Isso depende da intensidade dos sintomas e da presença de complicações. Dor intensa, vômitos, febre ou sinais de obstrução exigem avaliação médica e não devem ser conduzidos apenas com medidas caseiras.
Não de maneira geral. Cálculos de cálcio não são dissolvidos simplesmente com limão. Em contraste, alguns cálculos de ácido úrico podem ser dissolvidos por alcalinização controlada da urina, que é um tratamento médico específico.
Não necessariamente. Em pessoas com risco de recorrência, o episódio deve ser visto como uma oportunidade para investigar a causa e reduzir a formação de novos cálculos.
A prevenção precisa ser individualizada, mas algumas medidas são úteis para grande parte dos pacientes:
Para orientações mais detalhadas, veja como prevenir novas pedras nos rins.
O tratamento da litíase não deve se limitar a aliviar a cólica ou retirar a pedra.
Em pacientes com episódios recorrentes, a análise da composição do cálculo, exames de sangue e estudo metabólico da urina podem revelar fatores modificáveis capazes de reduzir significativamente o risco de novos episódios.
Se você apresenta cálculos renais recorrentes ou deseja investigar por que continua formando pedras, uma avaliação nefrológica individualizada pode ajudar a definir quais exames e medidas preventivas fazem sentido para o seu caso.
Dr. Filipe Krüger realiza acompanhamento nefrológico presencial no Rio de Janeiro e também por telemedicina.
Dr. Filipe Krüger
Médico Nefrologista – RQE 38573
CRM-RJ 52.107882-8
Conteúdo elaborado com finalidade educativa. As informações desta página não substituem avaliação médica individualizada. Quadros de dor intensa, febre, redução da urina ou suspeita de obstrução podem exigir atendimento de urgência.
Última revisão médica: 6 de outubro de 2026.
European Association of Urology. EAU Guidelines on Urolithiasis. Edição 2026.
American Urological Association. Medical Management of Kidney Stones: AUA Guideline. Validity confirmed 2019.